18/Mai/2017
Em carta, dono da JBS reconhece "erro" e pede desculpas
Crimes.

        

O dono do Grupo JBS, Joesley Batista, divulgou carta nesta quinta-feira (18) dizendo que a empresa errou e pede "desculpas a todos os brasileiros". O texto foi apresentado após a divulgação de gravação de conversa entre o empresário e o presidente da República, Michel Temer.

Na carta, o executivo diz que a empresa não honrou seus valores quando interagiu, "em diversos momentos", com o poder público, e admite que foram feitos "pagamentos indevidos a agentes públicos". "Ainda que nós possamos ter explicações para o que fizemos, não temos justificativas", continua. O texto diz ainda que a empresa assintou acordos com o Ministério Público e se coloca "à disposição da Justiça para expor, com clareza, a corrupção das estruturas do Estado brasileiro".

Veja a íntegra da nota enviada pela JBS:

"Erramos e pedimos desculpas.

Não honramos nossos valores quando tivemos que interagir, em diversos momentos, com o Poder Público brasileiro. E não nos orgulhamos disso.

Nosso espírito empreendedor e a imensa vontade de realizar, quando deparados com um sistema brasileiro que muitas vezes cria dificuldades para vender facilidades, nos levaram a optar por pagamentos indevidos a agentes públicos.

Ainda que nós possamos ter explicações para o que fizemos, não temos justificativas.

Em outros países fora do Brasil, fomos capazes de expandir nossos negócios sem transgredir valores éticos.

Assim construímos um grupo empresarial gerador de mais de 270 mil empregos diretos, com times extraordinários e competentes, que operam 300 fábricas em cinco continentes e oferecem mundialmente produtos de qualidade.

O Brasil mudou, e nós mudamos com ele. Por isso estamos indo além do pedido de desculpas. Assumimos aqui um Compromisso Público de sermos intolerantes e intransigentes com a corrupção.

Assinamos acordos com o Ministério Público. Concordamos em participar de alguns dos mais incisivos mecanismos de investigação existentes e nos colocamos à disposição da Justiça para expor, com clareza, a corrupção das estruturas do Estado brasileiro.

Pedimos desculpas a todos os brasileiros e a todos que decepcionamos, que acreditam e torcem por nós.

Enfrentaremos esse difícil momento com humildade e o superaremos acordando cedo e trabalhando muito.

Joesley Batista"

 

Crise política

 

Reportagem publicada no site do jornal "O Globo" nesta quarta (17) informou que Joesley Batista entregou à Procuradoria Geral da República (PGR) gravação de conversa na qual ele e Temer falaram sobre a compra do silêncio do deputado cassado Eduardo Cunha (PMDB-RJ), preso na Operação Lava Jato.

Após a divulgação notícia sobre a gravação da conversa, Temer fez um pronunciamento na tarde desta quinta negando que tenha a intenção de renunciar à presidência da República. "No Supremo, mostrarei que não tenho nenhum envolvimento com esses fatos. Não renunciarei. Repito: não renunciarei. Sei o que fiz e sei a correção dos meus atos. Exijo investigação plena e muito rápida para os esclarecimentos ao povo brasileiro. Essa situação de dubiedade e de dúvida não pode persistir por muito tempo", declarou.

Em razão das delações da JBS, o ministro do Supremo Tribunal Federal Luiz Edson Fachin, relator da Lava Jato no STF, autorizou a abertura de um inquérito para investigar o presidente.

Em meio às turbulências, os mercados reagiram diante das incertezas envolvendo as reformas econômicas propostas pelo governo, como a da Previdência e a trabalhista. O relator da proposta de reforma da Previdência, Arthur Maia (PPS-BA), divulgou uma nota afirmando que não há espaço para avançar com o projeto no Congresso.

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