14/Abr/2017
Colombo se refugia em Lages e não fala sobre denúncias
Silêncio na cúpula do governo.

        

Um dia após ir a Lages passar o feriadão de Páscoa, o governador Raimundo Colombo (PSD) retornou a Florianópolis para participar de reunião com os secretários da Casa Civil, Nelson Serpa, e da Comunicação, João Debiasi. O encontro serviu para fazer uma avaliação jurídica e de comunicação sobre o conteúdo das delações de executivos da Odebrecht que envolvem o nome do pessedista e indicam que ele teria pedido dinheiro de caixa 2 para campanhas eleitorais dele e de correligionários.

Ao fim da conferência, por volta de 14h, Colombo pediu à equipe de governo que se desconecte e descanse durante o restante do feriado. Ele deixou a Casa d¿Agronômica tão logo a reunião terminou. Teria retornado para Lages. Decidido a não conceder entrevistas pelo menos até segunda-feira, Colombo se mostrou indignado na reunião e afirmou que não havia procurado nenhum executivo da Odebrecht. Ao contrário, falou que "eles teriam nos procurado".

O encontro serviu ainda para redigir a nota divulgada no meio da tarde, em que o governo de Santa Catarina afirma que "a versão dos delatores da Odebrecht sobre contribuição para campanha que está sendo noticiada é absurda, carregada de mentiras, ódio e revanchismo". Serpa, experiente advogado e homem próximo ao governador, emprestou o conhecimento para avaliar o peso jurídico das delações. Ajudou também a escrever o comunicado.

O termo "revanchismo" tem vínculo com o entendimento palaciano de que apesar da aprovação do projeto de leiloar 49% das ações da Casan, a venda não se concretizou. Foi engavetado, já que existiria uma dívida com a previdência que desvalorizaria o preço da companhia. Isso teria sido decisivo para o governo desistir da venda. A expectativa gerada na Odebrecht com o negócio não efetivado seria o estopim para os delatores citarem o nome de Colombo.

Questões sobre diferença entre petição e delação 

A reportagem apurou que um ponto chamou atenção do governador e secretários de Estado no encontro que começou pela manhã e avançou depois do almoço: a petição assinada pelo ministro do STF Edson Fachin, divulgada pelo DC na terça-feira, relata o pagamento de dinheiro não contabilizado à campanha de Colombo em 2010 no valor de R$ 2 milhões. Porém, nas delações dos executivos Fernando Cunha Reis e Paulo Roberto Welzel, são citados outros casos em que o pessedista teria solicitado doações.

O fato foi considerado uma "discrepância", já que a petição pede para investigar a doação de 2010, enquanto a delação revela outros casos, com volumes maiores de dinheiro. Esse é um dos pontos que deve ser trabalhado pela defesa de Colombo que pode ser feita por um advogado de Brasília ou de SC. 

Na reunião, também foi compartilhada a percepção de que a divulgação das delações "tumultua" o ambiente no seio do governo. No entanto, há convicção de que as acusações serão esclarecidas. Colombo só deve conceder entrevista depois de se preparar ponto a ponto para tratar do assunto. Assessores lembraram que ele ainda não foi notificado, e o conteúdo das delações pegou a equipe de governo desprevenida, já que as informações se tornaram públicas na tarde de quarta-feira.

Quando a reportagem chegou ao portão que dá acesso à Casa d¿Agronômica, por volta de 17h, o clima era calmo na residência oficial. O policial na guarita disse que não havia reunião e o governador não se encontrava no local. Apenas um cachorro cuidava o movimento na Avenida Delminda Silveira. 

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