28/Ago/2017
Secretaria da Educação trabalha para evitar casos de violência
Problema grave registrado na comunidade escolar.

        

A expectativa da Secretaria de Estado da Educação (SED) é de que as anotações feitas em diários de classe sobre casos de violência escolar passem a ser informatizadas a partir dos próximos dias. Isso porque será implantado um sistema online de registros desses episódios, que poderá efetivar as ações dos Núcleos de Educação e Prevenção às Violências na Escola (Nepre) _ presentes em 890 de 1.081 escolas catarinenses.

A partir daí, também será possível ter dimensão, em números, do problema no Estado. A ferramenta é um instrumento da Política Estadual de Educação, Prevenção, Atenção e Atendimento às violências na escola, que propõe atuação integrada e intersetorial em parceria com setores da saúde, justiça, segurança pública, assistência social, conselhos tutelares e Ministério Público. 

A coordenadora do Nepre, Rosemari Kock Martins, salienta que o objetivo é que as escolas se tornem espaços de referência para que estudantes, professores e familiares possam dialogar em torno da mediação de conflitos.

— Esse núcleo estuda caso a caso e propõe, dentro da escola, formas de lidar com isso, já que os conflitos são inerentes às relações humanas — explica.

Há, ainda, um caderno pedagógico que fornece o passo a passo aos mestres, mas deixa de instruir o aluno que se envolve em uma situação de violência.

— Esse material traz, por exemplo, a importância da afetividade nas relações interpessoais que se dão no contexto da escola. Ele subsidia a prática pedagógica e diz o que se faz nesse momento: acalmar o estudante, chamar a família, discutir a questão, orienta como encaminhar a professora e o adolescente para atendimento — explica Rosemari.

Especialista defende trabalhos de mediação de conflitos

O psicólogo educacional Rogério Rosa diz que os casos de violência escolar são responsabilidade de toda a sociedade civil. O estudioso, que é professor na Universidade do Sul de Santa Catarina (Unisul), defende que a escola não é uma ilha e que, por isso, não está imune aos conflitos existentes ao redor dela.

— Para se ter uma análise mais comprometida sobre a singularidade de cada caso, é necessário olhar para fatores macros (como os rumores sociais que atravessam a escola) e micro (da relação entre os envolvidos). A escola é um espaço de conflitos e disputa, então há de haver uma visão mais complexa sobre o que acontece lá. Assim, é possível visualizar as saídas possíveis para esse fenômeno — avalia.

Além de investimento em formação docente e estreitamento da relação entre professor e aluno com apoio da comunidade, Rosa acredita no trabalho promovido por grupos de mediação de conflitos para minimizar o contexto da violência em sala de aula.

— Esses projetos que visam a qualificação das relações sociais na escola, a valorização das diferenças e a promoção da cultura de paz são interessantes, desde que apostem em um diálogo franco e aberto. A escola precisa se ater na promoção de convivência, prestígio e valorização do outro — opina.

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